A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (18/7) uma operação que incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro entre seus alvos. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultando no cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, além de imposição de medidas cautelares ao ex-presidente.
Entre as medidas determinadas estão: uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, restrição ao uso de redes sociais, e o impedimento de sair de casa das 19h às 6h e durante os fins de semana.
Também está proibido de manter contato com outros investigados nos inquéritos do STF, incluindo seu filho, Eduardo Bolsonaro. O deputado licenciado está atualmente nos EUA, buscando apoio internacional contra Moraes e pela anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Além disso, Bolsonaro não poderá manter contato com diplomatas ou frequentar embaixadas. Moraes aponta que as investigações revelam um plano deliberado de Bolsonaro e Eduardo para influenciar decisões do STF por meio de pressões externas, o que, segundo o ministro, atenta contra a soberania nacional.
Bolsonaro classificou a operação como "suprema humilhação" e afirmou que nunca considerou deixar o Brasil ou se refugiar em embaixadas, ainda que tenha passado dois dias na embaixada da Hungria em fevereiro de 2024.
Na operação, agentes recolheram cerca de US$ 14 mil, um pen drive e o celular do ex-presidente. A defesa manifestou surpresa com as medidas e afirmou que Bolsonaro tem colaborado com o Judiciário.
O partido PL considerou as medidas desproporcionais. Eduardo Bolsonaro reagiu citando Donald Trump e dizendo que Moraes "dobrou a aposta". O STF iniciou um julgamento virtual para avaliar as cautelares, com o ministro Flávio Dino já referendando todas.
Moraes aponta indícios de crimes como coação no curso de processo, obstrução de investigação e atentado à soberania. Ele também menciona um repasse de US$ 2 milhões de Bolsonaro a Eduardo para viabilizar ações contra o Brasil no exterior.
O ministro ainda justificou a tornozeleira com base na possibilidade de fuga. As sanções acontecem após Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando perseguição contra Bolsonaro. Em resposta, Lula chamou a medida de “chantagem inaceitável”.